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Primeira semana de julho de 2019.

A semana começou ainda em junho, no domingo dia 30, com as passeatas pró-governo e que foram explicitamente pró-Moro, como uma resposta a desqualificação que a oposição tenta lhe imprimir ante as os vazamentos do site The Intercept.

As manifestações foram chamadas logo após a divulgação de mais uma pesquisa que aferiu a queda de popularidade do Presidente e, por isso, foram maiores do que se esperava. Claro que mostrou a força da situação, mas também foi um grande indicativo de que a potencia eleitoral de Sergio Moro, hoje, é maior que a de Jair Bolsonaro, uma vez que a tônica das ruas foi a enaltação da figura do Ministro da Justiça e Segurança Pública.

No Congresso

Apesar de outros temas importantes como a inclusão no PLDO (projeto de lei de diretrizes orçamentarias) da possibilidade de aumento dos servidores públicos federais (de maneira contraria à orientação do Ministério da Economia), o grande evento político foi evidentemente o encerramento da Comissão Especial da Proposta de Emenda Constitucional 6/2019, a Comissão temática da reforma da previdência. Mesmo com uma agressão muito injusta dos manifestantes do domingo 30, no sentido de que estaria emperrando o andamento da reforma, Rodrigo Maia foi um gigante, juntamente com o deputado Marcelo Ramos, presidente da Comissão Especial e também com o deputado Samuel Moreira, o relator na da PEC. Aos 47´ do segundo tempo, o Presidente Jair Bolsonaro em pessoa entrou em campo e inacreditavelmente pediu votos contra o texto, no ponto especifico para que se flexibilizasse o regramento para os trabalhadores da segurança publica. O Presidente agiu sem consultar sua líder no Congresso, sem consultar o Ministério da Economia e se portou mais como o folclórico deputado Bolsonaro do que como Presidente da República que tem, na proposta de nova previdência, sua variável vital para o governo poder dar certo.

O partido do Presidente

Alguns deputados do PSL quase pediram obstrução, o que seria algo para lá de lunático. O Presidente da República pediu auxilio às bancadas ruralista e evangélica para modificarem o texto ainda na comissão especial e flexibilizar as regras aos policiais, vale dizer, pediu para votarem contra sua própria reforma, e isso semanas depois de seu Ministro da Economia ter criticado duramente o relator por algumas flexibilizações que o este fizera para garantir o andamento dos trabalhos na Comissão. Se não fosse o pulso firme do trio Maia, Ramos e Moreira, a PEC da reforma da previdência iria subir no telhado, pois além da pressão dos policiais, alguns integrantes da base insistiam em inserir Estados e Municípios ainda na Comissão Especial. Parte do chamado centrão surfou nesse mar revoltado criado pela base. Mais uma vez, insisto, Maia, Ramos e Moreira salvaram o governo do próprio governo.

O trio agiu rápido, chamou reunião com governadores, com os líderes e com Onyx. A semana foi tão incrível que terminou com Onyx sendo considerado um exímio articulador, Maia como aliado de Onyx e Jair Bolsonaro como o maior nome de oposição da sua própria reforma.

Paulo Guedes

O Ministro da Economia e autor da reforma, ficou quieto ante as movimentações do Presidente. Em se tratando de Guedes, que fala as vezes até demais, o silencio diz muito.

O fato dado é que a Comissão encerrou os trabalhos após um dia inteiro de trabalho na quarta-feira dia 4 de julho. O cenário que todos duvidavam, de votar ate 17 de julho (data limite antes do recesso) no Plenário da Câmara, se tornou uma possibilidade real. Ponto, sem dúvida alguma, para Rodrigo Maia.

Ainda que esse calendário não se concretize, o tamanho político do Presidente da Câmara foi elevado a nível recorde. Na sexta-feira, dia 5 de julho, o Presidente Bolsonaro voltou a defender a flexibilização da reforma da previdência para os policiais. Se isso vai atrasar ou não o calendário da reforma, só saberemos na semana que entra, pois os dois Presidentes (da República e da Câmara) irão abordar as lideranças politicas, a fim de angariar votos em Plenário. A oposição, nesse cenário, pode pedir férias e aproveitar o mês de julho, pois parte da base ira fazer o trabalho de apresentar o kit problema, trazendo, em Plenário, adendos ao texto aprovado na Comissão Especial. De tudo, nesse embate Maia x Bolsonaro, o deputado ganhou as últimas até agora, para o bem do governo do Presidente.

Escrito por Rafael Favetti, exclusivo para CM Capital e.PLUS

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